o que eu sei, o que me sossega, é que, ao acordares, o mundo se te oferece em vida e a vida te acontece no rasto de perfume com que as amendoeiras em flor impregnam o vento. E quando, no imprevisto dos dias e dos lugares, me calha sentir, nessa calma que sobra ao entardecer, a breve fragrância a giesta fresca e a restolho lavrado eu sei que estás aqui, acompanhando-me o olhar para lá das encostas irregulares da aldeia, para lá da rudeza das fragas e do xisto que maltrata a terra, para lá de tudo e para dentro de mim.
Sei-te feliz nestes instantes de Primavera e por isso, em mim, quase acontece a paz.