Vá, senta-te aqui comigo um pouco mais. Já não existe o tempo a definhar-nos por dentro, as horas não são mais do que a breve sugestão de uma brisa. Já não existe o depois. O antes e o agora fundem-se em mim, agregando tudo o que eu não entendo e, por vezes, não sou capaz de sentir.
Senta-te um pouco mais. É pedir muito? Terás a urgência do vento que corre por entre as fragas? É teu, da tua pele, esta fragrância de amendoeira? Às vezes não te alcanço e tu sabes. Torna-se-me difícil conceber que o que em ti era teu já não é. Que é outra coisa qualquer. Ou que pode ser. Que será… ou seria, antes mesmo de tu teres sido.
Já vês que me confundo e que te confundo. Que são intrincados e cegos os meus esquemas mentais e que o esforço que faço para não te pensar, para arregaçar o coração – ao exemplo de ti – e seguir em frente; grosso modo me aquieta no mesmo sítio. Onde fico. À espera. Nem sei bem do quê.