As Ondas

June 13, 2008 · Leave a Comment

 

Não sei como somos por inteiro, ainda, se de tão quebrados nunca tivemos conserto. Olho para ti, como tu olhas para mim, e vejo, como tu vês, a vida colada com fita-cola; os pedaços mal juntos, as dobras mal feitas, qualquer coisa de errado que não devia estar lá mas que já não se consegue arrancar. Tornou-se pele.

Às vezes só quero que volte a ser o verão da nossa infância e que, no rio, por não saber nadar, tu me deixes subir para as tuas costas e me leves para lá do ponto onde ainda tenho pé, dando-me a provar o sabor da aventura, oferecendo-me a certeza – que sempre tive – de que não me deixas cair.

E quero que nos deixemos ficar por lá, a secar ao sol, com a Doninha presa à sombra – preguiçosa e atenta – na tarde que não acaba porque tudo está, ainda, longe.  

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