Entries from September 2008

Piratas [2]

September 29, 2008 · 3 Comments


Sissi, o gato com problemas de identidade.

Categories: bichos

Piratas [1]

September 29, 2008 · 1 Comment


Rufus Emanuel

Categories: bichos
Tagged: ,

Onda Curta

September 22, 2008 · 2 Comments

Shaun nos livre da demagogia artística e demais masturbações intelectuais. Amén.

 

Categories: alegoria da caverna
Tagged: , ,

Outono

September 21, 2008 · Leave a Comment

Não sei. Perco o fio à meada a este tempo que se veste de coisas que não são. Já sabe a frio o vento que nos veste com silêncio. Sabe bem a frio a chuva que olho do lado de cá da janela. Mas nada é. Ainda. Apenas parece. Se existe Inverno é apenas no interior dos olhos.

Categories: dos dias

Diário da tua ausência

September 20, 2008 · Leave a Comment

Eu. A menos de metade de mim.

Categories: my one and only
Tagged:

17

September 17, 2008 · Leave a Comment

Todos os sítios são aqueles onde tu não estás.
Doze luas iluminaram o céu mas, para mim, a noite que em claro se passa, continua escura como breu.

Categories: heart and soul

Scully aka “a rameira do bairro”

September 12, 2008 · 1 Comment

Mas é linda!

Categories: bichos
Tagged: , ,

Of light and shadows

September 12, 2008 · 1 Comment

more about “Of light and shadows on Vimeo“, posted with vodpod

 

É quase como olhar para uma folha em branco, ter por dentro – a fervilhar – uma imensidão de coisas para dizer e… faltar-nos a gramática. Ou não nos faltar e a língua nos soar estranha e desconexa como se, de repente, as palavras não tivessem o mesmo significado… ou ainda tivessem e nós já não o soubéssemos.

Precisamos começar do princípio. Voltar a aprender as letras. Redescobrir-lhes a matemática. Saber o que vem antes e o que vem depois para, no fim, podermos quebrar todas as regras, podermos inventar novos códigos e no processo, com sorte, com muita sorte, encontrarmos a nossa voz.

Insistir na folha em branco, no acre da desilusão, no sangue que a caneta não expele nem sempre, quase nunca, é a solução. Há que levantar os olhos e inunda-los de luz e de sombra. Viver. Viver. Depois tentar uma palavra, uma virgula, uma ideia entre-parênteses, reticências…. rasurar, voltar ao início, deitar fora. Recuperar. Corrigir. Reinventar. Melhorar.

Começar do princípio. Outra vez. Aprender.

[Oferecer-te por imagens, amor, as palavras que ainda não tiveram a força para emergir do sedimento do que em mim está emaranhado. Agradecer-te a luz que apontas à minha escuridão e pela qual me guio porque não quero voltar a perder-me.]

Categories: artes

367 dias

September 11, 2008 · 1 Comment

Gosto de como a luz da manhã, que sorrateira entra no quarto, delineia a forma do teu corpo e o esboça na sombra a que os meus olhos se habituam ao acordar. E na penumbra descanso, segura no recolhimento do teu calor, sem a urgência do mundo que o sol anuncia.

A vida inteira volta ao principio, à primeira manhã, quando – por fim desperto – o meu olhar reencontra o teu e o dia começa. A vida continua. Constroi-se. Existimos.

Categories: my one and only

11 de Setembro

September 11, 2008 · Leave a Comment

As linhas, os horários, os destinos. O mundo igual a si mesmo. E eu. Numa absurda contagem decrescente.

Categories: heart and soul

365 dias

September 8, 2008 · 2 Comments

Categories: my one and only

Cold water and bright sun

September 7, 2008 · Leave a Comment

Categories: dos dias

Mamma mia!

September 6, 2008 · Leave a Comment

É bom, muito bom, quando as expectativas não são goradas e ainda somos surpreendidos.

Categories: artes
Tagged:

Tardes de letras e números

September 6, 2008 · Leave a Comment

Categories: dos dias

Tardes de chuva

September 5, 2008 · Leave a Comment

Categories: dos dias

Setembro

September 4, 2008 · Leave a Comment

 

Há mais do que uma razão porque Setembro me é especial e especialmente doloroso. Hoje, contudo, e talvez porque o sonho me tenha levado de volta aos terrenos irregulares da aldeia visto-me com uma nostalgia que magoa, ao mesmo tempo que me adoça.

 

Havia Setembro no mundo e o mundo fazia-se vida quando o comboio, percorrendo a Linha da Beira, nos deixava em Celorico e quando, depois de dividirmos um gelado, arrumávamos o corpo nos bancos desconfortáveis da Viúva Carneiro e penávamos de cansaço pelo longo das horas que ainda nos faltavam antes do “chegar a casa”. Eu nunca me cansava. Espraiava o olhar pelas janelas da “carreira” e bebia o farto dessa paisagem imensa. Querendo chegar depressa e querendo, ao mesmo tempo, que a viagem não terminasse e a terra que era minha, e era agreste e dura, pejada de fragas que o planeta expulsara quando em convulsão, me ficasse gravado na memória e eu a pudesse percorrer, sempre que querendo, com um simples fechar de olhos.

 

Mas era bom quando a viagem terminava e cumprida já a noite, nos apeávamos e descíamos do cimo da aldeia para o meio do povo e depois, em passo acelerado, o coração em estado de graça, nos desfazíamos da saudade nesses últimos metros que nos separavam da última casa da rua e a ela batíamos e a sua porta nos abriam. Com um sorriso.

E eu sabia. Sabia. Estaria sempre a minha Avó sentada do lado direito da lareira, rezando esse terço de contas imperfeitas que o meu Pai reconstruíra e lhe dera. O mesmo que me acompanha e que, embora eu não saiba como o rezar, sempre foi para mim uma forma de oração.

 

Havia Setembro no mundo e o mundo fazia-se vida na aldeia. Que interessava o mundo lá fora quando havia um sol imenso a nascer todas as manhãs e quando ao restolho que magoava as mãos durante a apanha da amêndoa eu contrapunha as minhas permitidas fugas e me perdia por caminhos e veredas, treinando o olhar e, inconscientemente, marcando na alma o ferro em brasa desse sentido do longe e do simples. De tudo aquilo que realmente importa e que, grosso modo, habita dentro de nós. Esse deus das coisas pequenas que se traduz em horizonte, vento e silêncio.  

 

Amava, como ainda amo, o silêncio da aldeia. O fascínio que me quedava horas a fio a olhar a paisagem ponteada pelas luzes das aldeias vizinhas, o céu imenso, caminho de Santiago, que escondia aventuras. E a cortar o silêncio a cumplicidade entre mãe e filha, as palavras que se desfiavam à soleira da porta e que eu não compreendia, ainda não compreendia.

 

Havia Setembro no mundo e na aldeia as Festas da Nossa Senhora de Belém. A procissão, sempre marcada pela iminente queda da Santa e certo ano só prevenida porque o Padre a tempo lhe agarrou as vestes; a banda filarmónica que à retaguarda a acompanhava e que, para mim, era o melhor de todo o evento; o costume estranho de, com um alfinete, prender dinheiro ao vestido da Santa o que, aos meus olhos, não se coadunava muito bem com o espírito da “coisa” e transformava Nossa Senhora numa espécie de caixa registadora ambulante.

 

Havia – será que ainda há? – esse jogo estranho cuja origem nunca descobri e que, cumpridas as obrigações da alma com missa a rigor, reanimava nas gentes o deliciosamente pagão dos costumes. Tentava-se matar o galo, pobre bicho de patas amarradas e corpo preso que aguardava em pânico que humano mais certeiro lhe acertasse com um pau. Tarefa algo difícil já que o jogador se encapuçava e se fazia andar de roda para que perdesse as referências do espaço e da distância.

 

Eu o experimentei pelo menos uma vez. Não fui bem sucedida. Memória viva tenho a de minha mãe, que encapuçada e desorientada acertar o galo não consegui; não porque a pontaria lhe faltasse mais do que aos outros mas porque não conseguia parar de rir. Ria muito, minha mãe. E era absolutamente delicioso.

 

Fazia-se o baile à noite. Suplicio para mim que a cada esquina e a cada metro via a minha mãe estacar para abraçar e conversar com amigos. E quando procurava não passar pelas pessoas porque a minha Avó por nós esperava em casa e lhe tínhamos prometido regressar cedo, era certo e sabido que a chamavam “ó Henriqueta!”, e ela parava e ria e recordava e, por momentos, o mundo lá fora deixava de lhe existir e ela era aquilo que era realmente. Simplesmente Maria.

 

Havia Setembro no mundo e na aldeia o verão fazia-se à sombra do Negrilho, quando ainda havia Negrilho. Contaste-me em carta, Paula, com desenho ilustrativo, que sublevação popular houve e que o sino da igreja tocou a rebate, alertando os que longe andavam, quando da Câmara do burgo ordem chegou para que o cortassem. De pouco serviu a revolta. Estava velho. Cortou-se e queimou-se, não foi? Para mim, ainda hoje, foi o coração da aldeia que cessou de bater e o adro da igreja, mesmo com fonte e bancos para os velhos, nunca teve o mesmo encanto.

 

Havia Setembro no mundo, como hoje é Setembro e como será sempre Setembro. Não me passa pelo olhar o verde da natureza mas o cinzento da cidade. Não escutam os meus ouvidos o rasto do vento e o lento zumbir das abelhas mas o bulício das ruas. Ainda assim, fecho os olhos e são fragas o que me alcança a memória. No calendário ainda tarda o regresso à escola e a despedida eminente ainda não faz doer o coração. Ainda não há vulto que fica a dizer adeus ao fundo da estrada, nem o meu rosto colado à janela do autocarro ocultando as lágrimas que, por muitos quilómetros, hão-de correr. Ainda não há o fazer das malas nem essa última noite em que dormimos todos no mesmo quarto, numa tentativa vã de adiar o inevitável.

 

Não. Ainda não. Ainda falta muito tempo. Acabámos de chegar. É a manhã seguinte ao nosso regresso. Eu andei a espiolhar a casa toda e não encontrei o chapéu do meu Avô. Preciso dele ou as férias na aldeia não serão as férias na aldeia. Tiro a chave da loja do prego e desço ao quintal. Abro a velha porta de madeira. Já não alberga a burra, apenas memórias. Olho em volta. De um lado o velho lagar, ao fundo as arcas de madeira e o depósito de cinza da lareira. Entro e procuro. Logo o encontro, “é bom ver-te, velho amigo”.

 

Talvez passem muitos anos entre o tê-lo nas mãos e o colocar na cabeça. Talvez uma vida inteira se cumpra na inocência desse gesto e eu não o perceba, ou talvez saiba e compreenda que a vida se faça de momentos e que a felicidade é apenas isso. Na ponte entre esse agora e este, soa a voz da minha mãe lá em cima na casa. Chama pela mãe dela “ó minha Mãe, onde está?”

 

Sei que se olhar na direcção da porta verei a minha Avó recortada pela luz da manhã. O corpo miúdo, fiapos de cabelo soltos na fronte, a roupa preta, o cheiro a “sempre”. Sei que me basta cumprir dois ou três passos e estou ao seu lado, segurando-lhe a mão ossuda, dedilhando-lhe as veias salientes, beijando-lhe o rosto. Mas não o faço. Hoje não o faço. Hoje quero parar o tempo para que não haja hoje. Para que apenas o antes exista e ainda falte muito.

 

É Setembro no mundo e Setembro em mim. “Ó minha Mãe, onde estás?

Categories: do afecto
Tagged:

O ovo ou a galinha

September 3, 2008 · 1 Comment

A que se associa o processo criativo? Basta-lhe a vontade ou é necessário que exista um mecanismo que rode a sua chave de ignição? Necessita somente da seiva que alimenta o artista ou é estimulada por um agente externo?
Como se reúnem as condições que tornam fértil esse terreno de ideias há tempo tempo em pousio? É possível que o artista se auto-aniquile? Que se permita uma morte lenta, oculta e camuflada nas desculpas do quotidiano?
Serão plausíveis as desculpas que o artista se impõe? Serão verdadeiras? Será o mundo injusto, para o artista, ou é ele que procura nele – mais do que encontra – a justificação fácil para a sua fraqueza de espírito?

Categories: alegoria da caverna
Tagged: