Entries from November 2008

Era uma vez…

November 30, 2008 · 33 Comments

… um Strudel de Maçã. Desapareceu, deixando um rasto de migalhas.

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Romance

November 27, 2008 · 2 Comments

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“Cheiras a vinho e estás a enfiar-me os óculos no olho”

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Velha cidade velha

November 27, 2008 · Leave a Comment

Deixámos a Baixa, às vezes tão árida, e seguimos em direcção a S. Bento. Passámos ao largo da estação, não entrámos, por lá deixámos quem no tempo se enredava entre um e outro destino de viagem. Escolhemos uma das ruas de dentro, descemos à Ribeira protegidas do frio pelo miolo de velhas casas e luzes toscas. Parámos a ver as montras das lojas antigas e escuras, empoeiradas, paradas no tempo. À margem. Entrámos no meu velho Alfarrabista, modesto e sem pretensões, ordenado dentro de um conceito muito próprio de caos, pleno de surpresas, de títulos e autores que despertam memórias, suscitam conversa, curiosidades, vontade de comprar o que outros leram, páginas cujos dedos prenderam, voltaram, esqueceram. Dedos e mãos que amaram dedos e mãos com o toque suave das palavras tatuadas.

Olhámos o rio de águas frias, geladas, a convidar ao refúgio de um bar, de uma bebida, do fogo breve de um chouriço assado, de um beijo. Do teu olhar em mim. Da minha vida contigo. Era outra cidade aquela que visitávamos, como que um outro mundo surgido, por acaso, dentro do mesmo universo. Não existia a pressa das horas, nem o fulgor incendiado do trânsito, do olhar que se crispa, do insulto pronto na ponta da língua. Existia o frio a apressar o passo dos vultos que nos compunham o cenário em fundo e a música lânguida, suave, triste, a lembrar o Natal e todos os seus lugares vazios.

Do outro lado da vida, do outro lado do muro que nos protege, com que nos protegemos; do outro lado do rio, ficara o sem sentido dos dias e da nossa relação com os outros. Tudo o que cansa sem que nisso se coloque esforço, tudo o que nos acossa sem que, para isso, o agreste se provoque. Ficara o Inverno do olhar e das palavras, da indiferença que nos endurece o coração e crispa a mente. Tudo ficara em suspenso, aguardando a volta do calendário, o esgotar dos dias de folga. O Inverno que vivíamos, nessa cidade inventada, descoberta, escondida, sentia-se na pele, na ponta dos dedos que se entrelaçavam, os meus, os teus, um nosso absoluto, sagrado. Por isso, real. Verdadeiro.

Categories: dos dias
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D’avental: Strudel de Maçã

November 27, 2008 · 1 Comment

Receita:

 

Procura-se na secção de frio do supermercado, escolhe-se a embalagem mais direita, paga-se e leva-se para casa.

Tira-se o preparado de dentro da caixa, coloca-se sobre papel vegetal, leva-se ao forno durante o tempo pré-determinado (ler instruções), retira-se, deixa-se arrefecer e come-se, sempre em boa companhia.

Categories: d'avental
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Moleskine #2

November 27, 2008 · 1 Comment

Categories: moleskine
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Queres figos?

November 26, 2008 · 4 Comments

Secavam ao sol, sob a laje do quintal, os figos que, depois, a minha Avó guardava num saco de pano por ela alinhavado e cosido com ponto certo e miúdo; uma pequena manta de retalhos com o seu quê de história. Pedaços de tecido aproveitados de peças de vestuário já não usadas mas que suscitavam sempre recordações.

Não gostava propriamente dos figos, mas achava piada ao produto final. À amêndoa que lhe colocavam no meio e que, mais vezes do que não, eu surripiava e comia às escondidas, deixando assim incompleta a guloseima de que os adultos tanto gostavam.

Agora os figos compram-se no supermercado e são considerados produtos gourmet. Têm prazo de validade e controlo de qualidade. Código de barras. Preço. Não sei a que sol secaram nem que mãos os apanharam. Existem para consumo imediato e degustam-se sem que nos saibam a história e a amor. 

Queres figos?”, costumava perguntar a minha Avó. Eu dizia que não. Gostava era que cantasse “pico pico sarapico” ao mesmo tempo que com os seus dedos ossudos e de pele frágil me “picava” os nós dos dedos. Disso é que eu gostava. Dos figos não. Gostava desse tempo creditado ao tempo. O nosso tempo à mesma dimensão. A sensação de que não era para sempre, não era, mas que valia pela eternidade enquanto durasse.

Categories: do afecto
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Moleskine #1

November 19, 2008 · Leave a Comment

Categories: moleskine
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Milhafre

November 19, 2008 · Leave a Comment

Não sabe a como deve saber Nova Iorque, Londres, Paris. A que sabem essas cidades? Esta sabe a granito. Veste-se de cinzento e chuva, pinta o rosto com tristeza e perde-se na sombra, entregue a si mesma como uma mulher da Trindade; puta sem sorte que longe adivinha o mudar de vida – a triste sina de ser a norte, de não ser nada. Mas, ainda assim, orgulhosa da miséria de ser povo.

Categories: dos dias
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D’Avental: as coisas simples

November 16, 2008 · 1 Comment

O mundo lá fora. O frio. A geada. O escuro que sobe pelas paredes do horizonte. Lá fora o ruído e as engrenagens do silêncio. Toda essa maquinaria pesada a acossar a alma. A prender o corpo. Lá fora a pressa. A velocidade. O trânsito. As horas. A verborreia. A ausência. O nada. Lá fora. O mundo.

Cá dentro a vida. Cá dentro. Por dentro das minhas veias. No âmago do meu oco. As minhas mãos quentes pelo quente das tuas. O muito que é. O pouco que basta. Aquilo que eu sei que tu sabes que eu sei que vamos fazer. E vamos. E eu, que me sinto de novo a pensar.

A isso, um brinde.

Categories: d'avental
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Morning Bus

November 12, 2008 · Leave a Comment

Às vezes parece que no cérebro se vai fazer aquela iluminada associação de ideias, aquele princípio de frase – genial – que condensa, incendeia, todo um texto; como um rastilho, incontrolável, à bolina na ponta dos dedos. Mas escapa-se. Não a prendo. Paira-me. Há-de assentar. Já se não ausenta. Aparece. Tímida. Deixo-a ir. Sei que regressa. Sorrio e ponho os phones. Até amanhã.

 

 

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Are we human?

November 11, 2008 · 1 Comment

Aqui vê-se melhor

Categories: artes
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Para fora, cá dentro

November 11, 2008 · Leave a Comment

Demos um salto à Beira Baixa, com passagem pela minha Beira Alta. Bom tempo, cheiro bom dos montes e giestas, horizonte a perder de vista debruado pelos confortes da Serra da Estrela.

Boa companhia na garupa. A tua. Sempre. No matter what. Queijo Picante, Papas de Carolo e Bolo de Azeite da Tia Leta.

Depois o regresso. Um autocarro em versão Titanic. Chegar a casa. Recomeçar os dias. As horas. O desassossego. Mas tu. Ainda. Para quem regressar e por quem esperar.

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É giro, é giro!

November 5, 2008 · 1 Comment

Categories: artes
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… é de toda a gente

November 5, 2008 · Leave a Comment

Milu. O rosto dos meus filmes portugueses preferidos. De um em particular: O Costa do Castelo. Para sempre a voz. A canção que volta e meia os lábios trauteiam e em cuja letra se encerra, também, a inocência da infância. A minha.

Categories: artes
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“Obama” we stand

November 5, 2008 · 2 Comments

Ergue-se uma nova voz. Transporta luz e o fogo da paixão. Acredita. Não teme. Incendeia. Move vontades. Oferece esperança.

Vamos ver. A ver vamos. Às vezes basta apenas um Homem e aquilo em que ele acredita. Às vezes…

foto: daqui

Categories: dos dias
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Sorriso

November 3, 2008 · 1 Comment

Afinal, não é tão mau quanto parece. A Nan Goldin também tira imensas fotografias ao seu gato. Ah pois é! Em contrapartida, eu ainda não desisti das pessoas.

Categories: bichos
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Teu [Meu] Nosso

November 3, 2008 · Leave a Comment

 

Às vezes invisível. Quieto. Calado. Mudo. Mas teu. Sem apelo. Nem agravo.

Às vezes assustado pelo calor da tempestade. Mas teu. Sem dúvidas.

 

No aqui e agora absoluto do futuro. Amor.

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Ok, BES e Fnac! Pronto!

November 3, 2008 · 2 Comments

Quando se fala em arte contemporânea não é para designar tudo o que é produzido no momento, e sim aquilo que nos propõe um pensamento sobre a própria arte ou uma análise crítica da prática visual. Como dispositivo de pensamento, a arte interroga e atribui novos significados ao se apropriar de imagens, não só as que fazem parte da historia da arte, mas também as que habitam o quotidiano. O belo contemporâneo não busca mais o novo, nem o espanto, como as vanguardas da primeira metade deste século: propõe o estranhamento ou o questionamento da linguagem e sua leitura.

Fonte: wikipedia

 

Mas… não haverá mais arte para além dos guindastes e espaços vazios das cidades? Não será o homem, no seu papel de elemento integrado - e em desintegração -  passível dessa outra leitura ou da sua subversão? Seria bom, não sei, voltar a ver olhares diferentes. Ou a arte contemporânea é, também, a imitação de si própria? 

 

 

Também existe o mundo em mudança, irremediavelmente perdido, nos não-lugares* da alma. Existe a acção do homem na arquitectura do mundo, é certo; mas, e a acção do mundo na arquitectura do homem? Que sobra deste universo em que vivemos? O lugar, o objecto? Ou quem deles faz uso?

Talvez nada. Nem mesmo a memória.  

*para uma definição de não-lugares

Categories: artes
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