
Os minutos, os segundos e todo o tempo do mundo, imenso, que se estende entre o acordar e o dormir. Os meus gestos, ausentes, mecânicos, em rotina, perdidos. O meu olhar, procurando, insistindo, tentando ver. Há sol e há luz. Há ar. E som. E cor. Mas tão pouca substância. As palavras são gralhas, erros, falhas gramaticais que impedem a comunicação. Falam, entendo, mas já nada tem significado. Acuso o cansaço de milhares de horas em vão. Do vocabulário, articulado, resta a desarticulação; a meada sem fio, novelo, engelhado, atrito.
Horas e horas e minutos, segundos e todo o tempo do mundo, imenso, que se estende entre o acordar e o dormir. Já me mudei há muito tempo, já cá não estou. Existo nos reflexos, em superfícies espelhadas, na borda da sombra que se escapa nas esquinas, no rasto sem rasto do pó mudado de sítio. Já cá não estou. Há muito que me fui embora.
2 responses so far ↓
trenguinha // February 20, 2009 at 4:33 pm |
humhum, amor…take it easy
Mana Nova // February 22, 2009 at 9:51 am |
Calma. Respira fundo. Pensa em abraços bons.