

Choveu copiosamente a maior parte do dia. A humidade infiltrou-se nos livros e eles, à vez, como que movidos pelo espirro colectivo das personagens ou dos factos, foram caindo das prateleiras, numa manifestação de afectado desagrado.
Foi-se-me entranhando, no avançar das horas, uma sensação de frio e tristeza. Um desconforto físico aliado a um protesto da alma contra o absoluto desperdício a que, não poucas vezes, somos votados. Ali estive todo o dia. Eu e os meus livros em castelhano. Pobre acervo de uma guardiã à força.
Caiu a noite quando ainda devia ser dia. Um vento de Inverno percorreu o Verão. Não há cultura que resista ao lamento da natureza.
Valeu-me, mais uma vez, o telemóvel como bloco de notas. Obrigada, meu amor.
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trenguinha // June 10, 2009 at 4:19 pm |
Ó meu bem, compreendo-te tão bem.
Mas, olha, hoje também chove copiosamente por aqui e, embora, a situação seja “fria”, para não dizer coisas piores, sinto um quentinho bom dentro de mim que vem de ti, de te invocar e de ter esta esperança de qq dia já cá estares.
Beijo-te…