Entries categorized as ‘alegoria da caverna’
Caim, caim, beu beu
October 31, 2009 · Leave a Comment
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Primeiras impressões de Bolaño
October 16, 2009 · Leave a Comment
Um outro, já não sei em que endereço, terminou a leitura de 2666 a gritar: “Bolaño, meu cabrão, meu filho da puta, meu génio!” Hum…
Pela minha parte o que primeiro me salta às narinas e que me leva a coçar o nariz é ir comprovando que aquilo é romance de macho e que toda a histérica testosterona – que também a há – que por aí se verteu pelos blogs e pelas revistas da especialidade literária não fez mais do que enaltecer o falo e respectivo séquito. Uniram-se os homens para elogiar um dos seus.
Eu sei que o livro tem mil e muitas páginas e que as poucas que até agora li nem por isso podem ser representativas do todo. Admito que posso estar a incorrer num precipitado juízo de valor, muito incendiado pelo que fui lendo e pelo asco que muitas das coisas que li me provocaram e que, naturalmente, há ainda muito caminho para percorrer e muito ainda para assimilar… mas, por muito que tente, não consigo deixar de, à medida que avanço no livro, intuir porque motivo teve 2666 tal efeito entre os rapazes. O que espero é que o final, se lá chegar, me faça engolir todas estas palavras e prestar a devida vénia ao autor, mas não sei.
Primeira coisa que me irrita: a história traz-me reminiscências de um “O Livro das Ilusões” de Paul Auster.
Segunda coisa que me irrita, e solenemente: existe uma mulher entre as quatro personagens principais. Todavia, ainda que mulher educada, parece desprovida de energia, como se nada no mundo fosse capaz de a animar. Aparentemente ao mesmo nível dos homens mas subtilmente diminuída pelas supra-capacidades destes. Existe como potenciador de tensão entre os homens que, aparentemente, por ela, se comportam como idiotas sem nunca, contudo, quebrarem, entre eles, o famigerado acordo de cavalheiros.
Talvez mais para a frente a senhora se rebele e deixe de ser tanto figura decorativa com mamas mas, para já, ainda não me convenceu. Prefiro mil vezes uma Lisbeth Salander de Stieg Larssson que, mesmo depois de indescritivelmente violada se ergueu para dar luta do que esta Norton em versão soft porno intelectual.
Ainda o que mais me irrita é perceber que os “rapazes”, no intimo, gostavam de ser assim como eles e que, pior, são de certa forma assim. Um grupinho não muito diferente dos grupinhos de mulheres que tanto criticam e a quem tanto olham com nojento paternalismo e escárnio.
Tenho pena que a leitura de 2666 esteja tão tingida por este meu surto de inesperado feminismo mas, quanto a isso, nada posso fazer. Ele manifestar-se-ia tivesse eu lido blogs e revistas ou não.
Ademais e numa nota que nem por isso tem a ver com Bolaño, tanto desagrado com o prémio Nobel da Literatura porquê? Porque é uma venerável desconhecida – pelo menos para nós, lusos – ou porque, sendo mulher, destronou Philip Roth e outros que tais? Ter um apêndice ao dependuro entre as pernas potência o talento? Sempre gostava de ver onde estaria tanto homem se as mulheres não os tivessem parido.
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October 11, 2009 · Leave a Comment
E o Porto voltou a eleger os imbecis…
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Ser dona de casa deve ser deprimente
October 7, 2009 · Leave a Comment
Que outra coisa se pode achar quando se liga a televisão na SIC e vemos a Fátima e o Cláudio Ramos a dissertar sobre o caso de uma mulher que perdeu os dentes? Pior do que a senhora parecer estar ali sob coação – como se os filhos estivessem reféns da equipa de produção nos bastidores e só fossem libertados após a sua humilhação em público – só mesmo o Cláudio Ramos num remake do Querido Mudei a Casa. Neste caso, Querido Mudei os Dentes.
É caso para ir lá abaixo e pedir um café com cheirinho…
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Da treta
September 19, 2009 · 2 Comments
Não há pachorra! Queixam-se de que o povo não lê mas quando lê é porque o livro não presta. Porque se fosse bom não vendia tanto… e cânone para aqui e cânone para acolá e o raio que os parta. Parece que se esqueceram que antes de lerem os clássicos – se é que leram e não se ficaram apenas pelo resumo da obra – também leram Os Cinco e que antes de lerem Os Cinco tiveram, necessariamente, de aprender a ler. Gostava de não vender tantos Nicholas Sparks e tantas Margaridas Rebelo Pinto mas sempre que os vendo – mesmo que às vezes rilhe os dentes – é sempre acreditando que as pessoas estão a “aprender” a ler e que esses livros são apenas os primeiros de muitos e de melhores leituras. Com tanta masturbação intelectual colectiva uma pessoa enjoa-se de ler blogs. Cambada de pilas invejosas.
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Sinais precoces de loucura
September 18, 2009 · 1 Comment
Estava ontem entretida com o último volume da saga Millennium quando dei por mim a ler o discurso de umas das personagens – um alto cargo da Policia Secreta sueca – com a voz, entoação e cadência do Pinto da Costa…
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Mim Greta Garbo
July 27, 2009 · 1 Comment

Tu Greta Garbo e eu back to slave mode. Isto de as férias passarem a correr é culpa do Einstein… mas a verdade é que quanto mais depressa passar o tempo, mais depressa te vejo. Mais depressa sou ao teu lado.
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Reviver o passado em BridesHead
July 15, 2009 · 1 Comment


A minha escola primária. Que já não é escola mas sede de escuteiros. Sinais dos tempos.
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Em casa, de férias…
July 14, 2009 · Leave a Comment
Breath in, breath out…
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Ingredientes da confecção da vida
June 21, 2009 · 2 Comments
Ainda não sei se gosto do som destes senhores. Para já gosto desta música e, sobretudo, do tom poético-decadente do videoclip. Os Franz Ferdinand apareceram-me sob a forma de livro e acho que, quando o comprei, nada tinha ouvido sobre eles e nada tinha ouvido deles.
O livro também é atípico. Reúne uma colecção de crónicas gastronómicas escritas pelo vocalista da banda – Alex Kapranos – para o Guardian. A tourné mundial que efectuaram foi a toalha de mesa sobre a qual assimilou – e provou – a experiência para tal.
Comprei o livro porque isto de nos apaixonarmos por uma pessoa que tem jeito para a cozinha e em cuja companhia uma simples refeição é toda uma experiência de amor e partilha, acirrou a minha curiosidade para o que fica para além do prato sobre a mesa. E descobri um mundo novo. Feito de história, de emoções e paixão. De sonhos que se constroem e de experiências que se proporcionam. Às vezes nem é tanto o que se come mas o ambiente em redor da comida aquilo que mais importa e que, mais tarde, se recorda e recomenda. Tenho aprendido algumas coisas nesta minha saga pelo que os outros escrevem sobre a comida mas tenho, acima de tudo, aprendido a respeitar todo o trabalho que antecede o chegar do prato à mesa. Nunca tinha ligado muito a isso e agora é uma coisa que, sim, faz parte de mim. Eis o que o amor nos acrescenta. E isto é apenas uma pequena parte. [Beijo imenso para ti, amor].
Quanto às crónicas de Alex Kapranos… são engraçadas. Falam de sítios no mundo a que nunca fui e de comidas que nunca provei e de modos de viver que desconheço. Fala também de sonhos, os dele, e de como os desvios que teve de tomar e os atalhos por onde escorregou nunca o impediram de ver o “mais longe” e de, no fim, o terem tornado mais forte.
Quanto à música… ainda estou a decidir.
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Know it by heart and don’t want to
June 20, 2009 · 1 Comment
Quero outras paisagens.
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Rewind
June 18, 2009 · 1 Comment

Faço o percurso ao contrário. Os livros que, de há um mês a esta parte, fazem parte do meu quotidiano – numa cacofonia de palavras e visões do mundo – regressam agora a casa.
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Salvem as baleias
June 17, 2009 · 4 Comments
by Greenpeace
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E no último dia da Feira…
June 17, 2009 · 1 Comment

…os mormon’s tentaram salvar o mundo.
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Livros à chuva
June 10, 2009 · 1 Comment


Choveu copiosamente a maior parte do dia. A humidade infiltrou-se nos livros e eles, à vez, como que movidos pelo espirro colectivo das personagens ou dos factos, foram caindo das prateleiras, numa manifestação de afectado desagrado.
Foi-se-me entranhando, no avançar das horas, uma sensação de frio e tristeza. Um desconforto físico aliado a um protesto da alma contra o absoluto desperdício a que, não poucas vezes, somos votados. Ali estive todo o dia. Eu e os meus livros em castelhano. Pobre acervo de uma guardiã à força.
Caiu a noite quando ainda devia ser dia. Um vento de Inverno percorreu o Verão. Não há cultura que resista ao lamento da natureza.
Valeu-me, mais uma vez, o telemóvel como bloco de notas. Obrigada, meu amor.
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Arte comparada
June 8, 2009 · Leave a Comment

Diabólica mania de achar que os outros são melhores do que eu. Olho, olho, olho e vejo que não.
Foto: Instalação, manifestação, street art ou poluição na Rua de Sampaio Bruno, no Porto.
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Os cromos da feira
June 8, 2009 · Leave a Comment


O Junho de hoje trazia lembranças de Outubro na cauda do vento. O frio e a chuva foram a história paralela àquela que passei o dia a ler: “Elegia para um Americano” de Siri Hustvedt, a mulher de Paul Auster. Talvez não devesse apresenta-la assim – vale por si só – mas é impossível não negar a influência do marido na sua escrita. A voz é a dela mas a cadência do texto denunciam os muitos anos de convivência e a forma como o pensamento de um se entranha no do outro.
É o terceiro livro que leio dela e, até ao momento, o primeiro a que não tenho assim muito o que apontar. Trata de dois temas que me são caros: os mistérios insondáveis da mente e os da vida que sobra à morte. E se bem que não procure respostas, à procura de respostas anda a autora; procuro talvez reconhecer nas conclusões a que vai chegando um pouco das minhas.
A verdade, contudo, é que a conclusão a que eu chego é que não cheguei ainda a conclusão nenhuma. O “fim” ainda me existe sem expressão e como acontece com as personagens, tudo tem ainda a dimensão de um sonho. A impressão de uma coisa vaga, como poeira levantada que ainda não assentou. Uma sensação de deslocamento no tempo e no espaço, como se houvesse uma impressão de mim que ainda não se alinhou comigo. Que ainda não transferiu para mim o todo da sua experiência. Não sei. Não sei se alguma vez saberei.
Para além do dissecar da experiência dos outros, tropecei no Gerónimo Stilton sentado numa mesa a dar autógrafos. E mais tarde encheu-se o meu campo de visão com um bando de insubordinados escuteiros. E sorri, porque o mundo em que vivem está longe, ainda, de muita coisa. Ou não.
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Ó FNAC, ó FNAC! Badajoz à vista!
May 22, 2009 · 2 Comments
As práticas do bom senso, do profissionalismo e, sobretudo, do respeito pelo trabalho dos outros levam-me a reprovar esta atitude… mas, que às vezes dá vontade, lá isso dá. Em contrapartida… descolar etiquetas de livros pode ser, também, encarado como um exercício de yoga. Se estivermos com o mood certo… é zen.
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O mantra destes dias
May 12, 2009 · 1 Comment
[O mais que puderes]
E se não conseguires fazer da tua vida o que queres,
então pelo menos tenta-o,
o mais que puderes; não a humilhes
no contacto abundante com o mundo,
nas muitas acções e palavras.
Não a humilhes no vaivém
constante, expondo-a
à estupidez diária
de relações e ligações
até que se torne um fardo estranho.
[Konstandinos Kavafis]
(ou eu em versão de açaime…)
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Breath deep, every day is one day less
May 7, 2009 · 3 Comments
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Na minha vida também há uma árvore
May 5, 2009 · Leave a Comment
Já que se falou em Negrilho…
A um Negrilho
S. Martinho de Anta, 26 de Abril de 1954
Na terra onde nasci há um só poeta.
Os meus versos são folhas dos seus ramos.
Quando chego de longe e conversamos,
É ele que me revela o mundo visitado.
Desce a noite do céu, ergue-se a madrugada,
E a luz do sol aceso ou apagado
É nos seus olhos que se vê pousada.
Esse poeta és tu, mestre da inquietação
Serena!
Tu, imortal avena
Que harmonizas o vento e adormeces o imenso
Redil de estrelas ao luar maninho.
Tu, gigante a sonhar, bosque suspenso
Onde os pássaros e o tempo fazem ninho!
Miguel Torga in Diário VII (1956)
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O expediente em disparates
May 5, 2009 · 2 Comments
Carla B. precisava de ajuda para encontrar o livro “Os Órfãos do Mal”, que era preciso devolver. Havia três em loja, e eu lembrava-me de os ter visto expostos numa mesa. Dei uma volta pela charneca literária e como nada encontrei fui ter com ela para lhe perguntar qual era o autor. Ela tentava saber o mesmo. Resmungava enquanto ia reescrevendo o título no computador.
- Ai, então há pouco apareceu e agora já não. Acho que estou a escrever mal o título – dizia, enquanto apagava e voltava a escrever mais devagar para não omitir nenhuma letra. Curiosa espreitei-lhe por cima do ombro para ver se, finalmente, acertara. Soltei-lhe uma gargalhada ao ouvido.
- Que foi? – perguntou – Estás a rir-te porquê? Está bem escrito! Mas não aparece nada, vês?
Claro que não podia aparecer nada. No motor de busca da nossa base de dados, em vez de “Os Órfãos do Mal”, tinha escrito “Adopção de Reféns”.
Eu às vezes penso que ela faz de propósito… mas não, mas não.
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Os dias tristes
May 2, 2009 · Leave a Comment

Feitos assim deste resíduo de qualquer coisa que não entendo nem alcanço mas que tinge o meu olhar e condiciona os meus passos. Há sempre qualquer coisa que me faz falta, qualquer coisa por dentro que às vezes julgo conseguir agarrar e compreender mas que grosso modo, se me escapa por entre os dedos, não revelada. É uma sensação mortiça, acre, triste. Uma melancolia que antes foi terreno produtivo – de criação – mas que agora troco, de bom grado, pela serenidade de me achar bem em todos os sítios.
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To express myself
April 26, 2009 · Leave a Comment

O que julgas? Que a vida deles, como a tua, se faz entre picagens de ponto? Que o mundo lhes cessa durante essas nove ou dez horas do dia? Que lhes existe uma paragem de autocarro a seguir a uma viagem de metro e que, inexplicavelmente, a interferência de algo superior também só lhes oferece estática nos phones quando tentam ouvir rádio e que tudo o que não conseguem ouvir, nem se importam, é apenas o preliminar do silêncio que os aguarda?
Talvez julgues que têm o dom de reconhecer a substância na ausência do humano ou talvez sejam os teus olhos que já não enxergam para lá de tudo o que é menor na vida e em cujo epicentro estás. O teu cansaço vem da alma e desejas um terramoto que faça cinza de tudo o que te diminui. Há mais para além disto mas às vezes parece que és sempre tu quem fica para trás.
Nem sempre tem importância mas, às vezes, é tudo o que importa.
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25
April 25, 2009 · Leave a Comment

Deve ter sido uma explosão de energia, aquilo que, por dentro, percorreu os militares de Abril. Emoção à velocidade da luz. Mas acredito que uma certa nostalgia pronto os atacou. O resíduo de uma sensação, não sei, o murmúrio de uma pergunta: teria valido a pena?
Ó pá… sim, apesar de tudo, apesar da desilusão, da raiva e da vergonha… sim, valeu a pena.
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Desobedecer
April 24, 2009 · Leave a Comment
.
Podia-mos desobedecer todos, de vez em quando…
Usar da palavra em vez de balir…
…
….
…..
…… huh?
E dizer coisas inteligentes, no momento certo…
Como aquilo que nos vai na alma…
…quando no-la comem à colherada e, não contentes, no-la cospem no rosto.
A última vez que me senti assim, Cavaco era Primeiro Ministro…
… e eu ainda tinha todo o tempo do mundo.
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Anda no ar um cheiro a m***a
April 24, 2009 · Leave a Comment
Deviam era calar-se todos, engolir – um a um – os cravos oferecidos na Revolução e evitar proferir à boca cheia, em tom alarve, que isto que vivemos, que isto que veio depois, é liberdade. É, isso sim, a liberdade de alguns a subjugar a vontade dos outros. A imensa liberdade de alguns a tiranizar as vidas dos outros. Não um Salazar mas muitos, muitos, imensos. Não um ditador, como uma figura vampiresca do Estado, mas muitos vampiros, reais, próximos, alimentando-se da nossa força e do nosso espírito.
Liberdade onde? Quando? Na madrugada do dia 26 de Abril? Quando o sonho ainda não despertara para a realidade? Quando a vida ainda parecia acabada de desflorar? Pobre ideia e pobre intenção que há tanto andas pelas ruas da amargura, vendendo o teu povo em troca de tudo o que o abandona e trai.
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