
Esta bela casinha, por onde passámos em dia de passeio, e que fica num bairro onde não nos importávamos de morar, custa tão somente, tão somente, €3.250 por mês. É caso para Glup!

Esta bela casinha, por onde passámos em dia de passeio, e que fica num bairro onde não nos importávamos de morar, custa tão somente, tão somente, €3.250 por mês. É caso para Glup!
Categories: dos dias
Tagged: for rent, houses in holland

Ando pelas Holandas e pelas minhas contas já devo ter fotografado todas as bicicletas de Den Haag (Haia). Há muito ainda para ver, muito para descobrir, ainda mais para entender mas, à queima roupa, sim, é um País que se aprecia e com um estilo de vida bem à medida das minhas expectativas: calmo e cosmopolita.
De resto, de resto… há muito para contar nos posts do regresso. Há muita informação que precisa de ser, ainda, processada. Muita coisa para mais tarde recordar.
O melhor desta visita, contudo, é a viagem que o coração e o corpo fazem de regresso ao aconchego do amor. Tudo em mim e no mundo retomou o lugar devido na ordem do universo. Não me sinto mais em pedaços porque sou una contigo, porque me existes e ao teu lado sou.
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Tagged: holanda, the netherlands

Há algo que me apraz quando homens e animais vivem em harmonia. Faz-me sentir que tudo está no sítio devido, que a paz entre deuses e humanos é perpétua e que nada, absolutamente nada, pode quebrar esse equilíbrio.
Há algo de sagrado e secreto – secular – no voo gracioso das cegonhas. No canto que delas ecoa dos ninhos. Na forma como dominam os céus desta cidade. E na forma como os seus habitantes as saúdam e protegem.
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Tagged: beira baixa, castelo branco, cegonha


Categories: dos dias
Tagged: lenços de namorados, viana do castelo

Grafitti na estação de metro de Carolina Michaelis, no Porto.
Há que admitir, de uma vez por todas, que a família, tal como a conhecemos, está a mudar. Já mudou. E, ou muito me engano, ou mal nenhum veio ao mundo por isso.
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Tagged: courage campaign, don't divorce us
O melhor do Prós e Contras de hoje sobre o Casamento Homossexual foi mesmo a Fátima Campos Ferreira a dizer, depois de a insubordinada plateia irromper em palmas aprovando determinada prelecção: “Tché! Calados!”. Esta mulher num cargo de poder e este País ia longe…! À tarrrrrde!
Mas, ironias à parte, os preconceitos não devem ser lei e a igualdade, desculpem lá, não corrompe a liberdade. Amai-vos uns aos outros e metei-vos na vossa vida.
A ignorância é tão feia…
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Tagged: casamento homossexual

A realidade da vida de livreiro: carregar caixas.
Tudo aquilo que os livros não dizem quando se escreve sobre quem os trabalha.
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Fé.
Paz.
O absoluto.
Quando for grande quero ser promotora de baleias.
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Tagged: S. Pedro do Avioso
[…]
Sentir tudo de todas as maneiras,
Viver tudo de todos os lados,
Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,
Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos
Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.
[…]
Sentir tudo de todas as maneiras,
Ter todas as opiniões,
Ser sincero contradizendo-se a cada minuto,
Desagradar a si próprio pela plena liberalidade de espírito,
E amar as coisas como Deus.
[…]
[Álvaro de Campos]

E a quem nos acolheu na noite de Passagem de [A]no e nos ofereceu riso e ternura, o nosso bem haja e o desejo sincero que 2009 se repita em carinho e nos acrescente o que contar. O que viver. Porque sonhar.

Ao desfolhar o novo livro da Anita reparei, para meu horror, que, a páginas tantas, lá pelo meio da história e da ilustração, aparece um computador portátil e que a moçoila, para além de ter tentado matar o irmão; manda emails. E como se não bastasse tal atentado às minhas memórias de infância – no meu tempo a Anita escrevia cartas! – é ainda provável que a cachopa tenha um blog, uma página no hi5, myspace e vídeos no youtube.
[Suspiro]
Quem mais virá, reciclado, para desmoronar os meus mitos de criança? Tu D’Artacão? Terás vendido tu o teu cavalo no ebay?

Deixámos a Baixa, às vezes tão árida, e seguimos em direcção a S. Bento. Passámos ao largo da estação, não entrámos, por lá deixámos quem no tempo se enredava entre um e outro destino de viagem. Escolhemos uma das ruas de dentro, descemos à Ribeira protegidas do frio pelo miolo de velhas casas e luzes toscas. Parámos a ver as montras das lojas antigas e escuras, empoeiradas, paradas no tempo. À margem. Entrámos no meu velho Alfarrabista, modesto e sem pretensões, ordenado dentro de um conceito muito próprio de caos, pleno de surpresas, de títulos e autores que despertam memórias, suscitam conversa, curiosidades, vontade de comprar o que outros leram, páginas cujos dedos prenderam, voltaram, esqueceram. Dedos e mãos que amaram dedos e mãos com o toque suave das palavras tatuadas.
Olhámos o rio de águas frias, geladas, a convidar ao refúgio de um bar, de uma bebida, do fogo breve de um chouriço assado, de um beijo. Do teu olhar em mim. Da minha vida contigo. Era outra cidade aquela que visitávamos, como que um outro mundo surgido, por acaso, dentro do mesmo universo. Não existia a pressa das horas, nem o fulgor incendiado do trânsito, do olhar que se crispa, do insulto pronto na ponta da língua. Existia o frio a apressar o passo dos vultos que nos compunham o cenário em fundo e a música lânguida, suave, triste, a lembrar o Natal e todos os seus lugares vazios.

Do outro lado da vida, do outro lado do muro que nos protege, com que nos protegemos; do outro lado do rio, ficara o sem sentido dos dias e da nossa relação com os outros. Tudo o que cansa sem que nisso se coloque esforço, tudo o que nos acossa sem que, para isso, o agreste se provoque. Ficara o Inverno do olhar e das palavras, da indiferença que nos endurece o coração e crispa a mente. Tudo ficara em suspenso, aguardando a volta do calendário, o esgotar dos dias de folga. O Inverno que vivíamos, nessa cidade inventada, descoberta, escondida, sentia-se na pele, na ponta dos dedos que se entrelaçavam, os meus, os teus, um nosso absoluto, sagrado. Por isso, real. Verdadeiro.
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Tagged: chouriço assado, old town, oporto

Não sabe a como deve saber Nova Iorque, Londres, Paris. A que sabem essas cidades? Esta sabe a granito. Veste-se de cinzento e chuva, pinta o rosto com tristeza e perde-se na sombra, entregue a si mesma como uma mulher da Trindade; puta sem sorte que longe adivinha o mudar de vida – a triste sina de ser a norte, de não ser nada. Mas, ainda assim, orgulhosa da miséria de ser povo.
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Tagged: 3 - do mundo e das imagens, porto
Às vezes parece que no cérebro se vai fazer aquela iluminada associação de ideias, aquele princípio de frase – genial – que condensa, incendeia, todo um texto; como um rastilho, incontrolável, à bolina na ponta dos dedos. Mas escapa-se. Não a prendo. Paira-me. Há-de assentar. Já se não ausenta. Aparece. Tímida. Deixo-a ir. Sei que regressa. Sorrio e ponho os phones. Até amanhã.
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Tagged: rita redshoes

Podia parar o tempo no instante de uma tarde, a meio de um sorriso, no momento em que os meus dedos se prendem nos teus, no rasto do vento que mexe nos teus cabelos. Podia parar o tempo. E não haver Segunda-Feira.
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Tagged: cantareira, porto
A meio do expediente, no seguimento de um remate cínico da minha parte:
Carla B. – Pois! Agora sou o teu bode expiratório!
Ó respirantes ninfas do Douro, que de vós bebo até cair para o lado!
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Não sei. Perco o fio à meada a este tempo que se veste de coisas que não são. Já sabe a frio o vento que nos veste com silêncio. Sabe bem a frio a chuva que olho do lado de cá da janela. Mas nada é. Ainda. Apenas parece. Se existe Inverno é apenas no interior dos olhos.
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Thank you, God, for this good life…
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Tagged: Leça da Palmeira
Cenário: Uma livraria no final de expediente.
Cliente aproxima-se do balcão onde estou eu e a Carla B. Pergunta:
- Onde é que posso encontrar um metro articulado?
Eu aponto na direcção da Papelaria e digo:
- Ali os colegas podem ajuda-lo.
Carla B., dá uma gargalhada, bate-me no braço e interpela o cliente:
- Deixe lá que ela está a engana-lo. É para ali! – e aponta na direcção da porta de saída. O semblante do cliente denuncia que ele não está a perceber patavina da conversa. Eu não entendo ao que se refere Carla B. e insisto:
- Não, na Papelaria pode encontrar um metro articulado.
Carla B. tem um ataque de riso e afasta-se, deixando atrás de si um rasto de gargalhadas. O cliente, um pouco desconcertado, olha para uma e para a outra. Agradece e segue na direcção da Papelaria. A Carla B., rindo ainda, aproxima-se de mim.
- Que te deu? – pergunto.
- Pensei que ele tinha perguntado pela saída para o metro – diz e continua a rir, a rir, a rir, a rir, a rir. Olho em frente. O cliente também ri, enquanto conta a peripécia à pessoa que o acompanhava. Medito. A Carla B. acalma e para de rir. Deito-lhe um olhar de viés. Pergunto:
- O que é um metro articulado?
A Carla B. tem outro ataque de riso. Afasta-se, deixando atrás de si um rasto de gargalhadas.
Fiquei sem resposta.
.
Horas antes, ao falar sobre séries da década de 80 e 90
Carla B.: Sim, sim, lembro-me do “Crime disse ela”, da Agatha Christie.
Eu: Da Agatha Christie, huh?
Carla B.: Sim, então?
Eu: E do Poirot do Conan Doyle, lembras-te?
Carla B.: Sim… hum… huh?!?
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