Entries categorized as ‘heart and soul’

e na saudade te abraço

September 28, 2009 · Leave a Comment

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September 18, 2009 · Leave a Comment

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September 17, 2009 · Leave a Comment

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September 13, 2009 · Leave a Comment

Sim, senta-te um pouco comigo à soleira desta porta amada. Tens a minha idade e eu já existo mas nada sei do mundo. Brinco à nossa frente, querendo alcançar o avô que fuma sentado no degrau da casa em frente. Pouco tardará para eu partir a cabeça na esquina daquelas pedras, mas ainda não nos inquietamos. Ainda não chegou o tempo da tua aflição e da dor que, de tão grande – talvez – eu apaguei da memória. Ainda tenho a cicatriz, repara. Essa e outras, eu sei; mas que sabia eu? O mundo era prolífero em coisas negadas que eu queria experimentar. Não foste assim também? Sei tão pouco de ti.

Repousa um pouco. Ouve comigo os cascos dos animais que soam pelo caminho, o tilintar do chocalho das ovelhas, a forma como todo o meu interesse de criança se concentra na voz dos pastores e de como, suplicante, te olho para que lhes peças que me deixem fazer festas no borrego acabado de nascer e que, por ser tão frágil, eles carregam ao colo. E que me entusiasma mais? A criatura, pequena como eu, ou o rebanho que, por mim, estacou e me rodeia?

Repousa. Não faças perguntas. Sabes que já foi o teu tempo mas não me perguntes ao que soavam os corredores vazios e os lanços de escadas. Não te quero falar do cheiro, do ruído e da ausência dele, da indignação que sentia ante a resoluta normalidade dos dias, do que me rodeava, das pessoas que picavam o ponto, entravam e saiam, cumpriam tarefas enquanto tu, lá dentro, por detrás de uma porta onde eu só entrava com salvo-conduto te extinguias. Registavam a batida do teu coração, obrigavam-te a respirar, o teu corpo miúdo, exangue e nu debaixo de um lençol, alimentado à força por uma miríade de pequenos fios coloridos. Eram tantos mas eu ainda achava que podiam ser mais, como se mais te pudessem salvar. Como se um deles pudesse conduzir-me à tua alma e a ela me pudesse agarrar para não te perder.

Fica um pouco mais antes de ires. É tempo da amêndoa, eu sei. Ouço os homens que ao longe varejam. Lembro-me da agrura do restolho, do sol implacável sobre as costas, dos corpos exaustos no regresso da tardinha e do alento com que o fresco da noite, à luz de um lampião de fusca luz amarela, alimentava as conversas. Existia vida e eu sentia-a acontecer. É vida ainda que me inflama quando tenho sob os pés a nossa terra. Fica só mais um pouco. Ensina-me os caminhos.

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September 11, 2009 · 1 Comment

Depois reparo na data. Não pelos motivos óbvios da História… mas porque se inicia hoje o countdown rumo ao meu ground zero. Não consigo evitar este tic tac. Tic tac tic tac. Continuo lá em todos os passos do caminho. Acho que sempre, para sempre, me repetirei lá.

Dança comigo, meu amor. Não pares de dançar.

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A anatomia do incêndio

May 4, 2009 · Leave a Comment

Ontem foi um dos teus dias. São muitos os teus dias. Os certos e os sem data assinalada no calendário. Apeteceu-me dizer-te, em tom de desabafo, que estou cansada de apagar fogos mas logo me ocorreu que tu, com esse teu sentido de humor tão próprio, certo haverias de me responder: “Não sei porquê. Não eras tu que querias ser bombeira quando eras pequena?”

Sim, era eu. Queria ser muitas coisas… mas não este “ser” sem ti. Faz-me falta o teu riso. O teu riso ao virar da esquina como sinónimo de maresia depois da tempestade.

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Primavera

February 15, 2009 · Leave a Comment

primavera-copy

Saio à rua e sinto no ar este cheiro a flores que, por momentos, no delicioso segundo de uma ilusão, me transporta para a rua de uma aldeia, junto a uma casa com quintal sobre o horizonte colorido repleto de amendoeiras em flor.

 

Não viro as costas porque sei que vais lá estar, oferecendo, em silêncio, tréguas aos meus sonhos. Não me importo que me visites, sabes que não, mas, de vez em quando, será que nos podemos ver nesse tempo de antes?

 

 

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Small and silent

December 23, 2008 · Leave a Comment

 

O que me apetece é sentar-me contigo no sofá, com os gatos entre nós e ver-te cabecear de sono enquanto na televisão, baixinho, passa o filme da tarde. Não acenderei a luz quando no mundo ela se extinguir. Não quero acordar-te desse sono leve mas repousante.

Quero embalar-te com o olhar. Ver-te. Decorar os contornos da fragilidade com que o corpo te veste a alma. Tornaste-te tão pequenina, sumida dentro de ti.

Tivessem as minhas mãos força suficiente. Fosse eu forte. Tomaria nelas o teu coração e ao ritmo do meu existirias para sempre. No sempre de um tempo que fosse suficiente, que nunca seria, mas certamente mais, muito mais, do que a tua ausência. Que é muita. Demasiado.

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64 anos e um dia

December 16, 2008 · Leave a Comment

 

 

 

Fazes-me falta.

 

 

 

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Slow motion

October 16, 2008 · Leave a Comment

Sorrio. Acredita. Sorrio. Quando em presença desta fotografia fico sempre à espera que entres no enquadramento pelo canto direito da imagem e depois sigas em passo lento, isso, lento, muito lento, caminho abaixo, até os meus olhos já não conseguirem distinguir a tua figura mas capazes, ainda, de saber quem és.

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Out of focus

October 12, 2008 · Leave a Comment

Coimbra do Mondego. Hospital. O que de ti se perde e não encontro na sombra das pessoas que aguardam. Nos corredores. Ao ritmo das máquinas que te suspendem mas não agarram. Imagens. Como polaróides desfocadas. Queimadas. A tua imagem. Ainda. Sempre. O teu corpo miúdo à porta das urgências. A entrar para dentro da ambulância que te levou. Para nunca mais.

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17

September 17, 2008 · Leave a Comment

Todos os sítios são aqueles onde tu não estás.
Doze luas iluminaram o céu mas, para mim, a noite que em claro se passa, continua escura como breu.

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11 de Setembro

September 11, 2008 · Leave a Comment

As linhas, os horários, os destinos. O mundo igual a si mesmo. E eu. Numa absurda contagem decrescente.

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Exponencial

June 24, 2008 · Leave a Comment

do Lat.  *exponentiale < exponente 

adj. 2 gén.,
que tem expoente algébrico variável ou indeterminado e a potência da base constante
… como a saudade de ti. 

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As Ondas

June 13, 2008 · Leave a Comment

 

Não sei como somos por inteiro, ainda, se de tão quebrados nunca tivemos conserto. Olho para ti, como tu olhas para mim, e vejo, como tu vês, a vida colada com fita-cola; os pedaços mal juntos, as dobras mal feitas, qualquer coisa de errado que não devia estar lá mas que já não se consegue arrancar. Tornou-se pele.

Às vezes só quero que volte a ser o verão da nossa infância e que, no rio, por não saber nadar, tu me deixes subir para as tuas costas e me leves para lá do ponto onde ainda tenho pé, dando-me a provar o sabor da aventura, oferecendo-me a certeza – que sempre tive – de que não me deixas cair.

E quero que nos deixemos ficar por lá, a secar ao sol, com a Doninha presa à sombra – preguiçosa e atenta – na tarde que não acaba porque tudo está, ainda, longe.  

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Heart control

June 11, 2008 · Leave a Comment

Vá, senta-te aqui comigo um pouco mais. Já não existe o tempo a definhar-nos por dentro, as horas não são mais do que a breve sugestão de uma brisa. Já não existe o depois. O antes e o agora fundem-se em mim, agregando tudo o que eu não entendo e, por vezes, não sou capaz de sentir.
Senta-te um pouco mais. É pedir muito? Terás a urgência do vento que corre por entre as fragas? É teu, da tua pele, esta fragrância de amendoeira? Às vezes não te alcanço e tu sabes. Torna-se-me difícil conceber que o que em ti era teu já não é. Que é outra coisa qualquer. Ou que pode ser. Que será… ou seria, antes mesmo de tu teres sido.
Já vês que me confundo e que te confundo. Que são intrincados e cegos os meus esquemas mentais e que o esforço que faço para não te pensar, para arregaçar o coração – ao exemplo de ti – e seguir em frente; grosso modo me aquieta no mesmo sítio. Onde fico. À espera. Nem sei bem do quê.

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… de uma noite de verão

March 28, 2008 · Leave a Comment

Numa parte de mim, minha mãe, há-de ser sempre verão. Noite de manto de estrelas cadentes que refrescava o calor de Agosto. Hei-de ser sempre jovem e tu serás sempre tu. O teu riso há-de ecoar, muito traquinas e meio envergonhado, rindo da desgraça alheia. Daquela pequena desgraça que soltou as velas do riso e o elevou ao universo. Hei-de lá estar, sempre, contigo, batendo o pé ao ritmo da música, contente por saber que te agradava. Há-de ser meu, sempre, esse sorriso. Como meu será, sempre, o eco dos teus passos no regresso a casa e o riso, sempre o riso, que ainda te atacava ao dobrar da esquina.

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M de m

March 18, 2008 · Leave a Comment

Há frases que se repetem no mesmo tom de espanto, meio atordoado, de quem acorda a meia da noite sem saber, ao certo, onde está. Há um retorno sem aviso desse imediato da constatação de um facto que nenhuma margem deixa para dúvidas. Acontece-me não como eu esperava que acontecesse – sabia lá eu o que esperava – mas de forma abruptamente cruel. Peremptória.

Não importa onde, não se alinha com o curso do pensamento, não surge na cauda de uma ideia, uma sugestão, um lugar comum. É como uma descarga de energia, um batimento em falso do coração, uma palpitação, um súbito perder das referências espacio-temporais. Pisco os olhos e ainda estás. Pisco os olhos e já não és.

Há imagens nítidas que me correm por detrás dos olhos e que, ao mesmo tempo que tento não invocar, procuro, para lhe beber os pormenores. Eu não sei como se faz isto. Não sei como evitar a súbita comissura dos lábios, a inesperada rudez da fronte, o olhar que ora se perde ora se acha zangado. És um retalho de ínfimas partículas, cravado, sem ordem, por toda a extensão da alma e eu não sei, não consigo, tornar-te inteira.

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Sim,

March 5, 2008 · Leave a Comment

o que eu sei, o que me sossega, é que, ao acordares, o mundo se te oferece em vida e a vida te acontece no rasto de perfume com que as amendoeiras em flor impregnam o vento. E quando, no imprevisto dos dias e dos lugares, me calha sentir, nessa calma que sobra ao entardecer, a breve fragrância a giesta fresca e a restolho lavrado eu sei que estás aqui, acompanhando-me o olhar para lá das encostas irregulares da aldeia, para lá da rudeza das fragas e do xisto que maltrata a terra, para lá de tudo e para dentro de mim.

Sei-te feliz nestes instantes de Primavera e por isso, em mim, quase acontece a paz.

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